Fotógrafos de Frida Kahlo: Manuel Álvarez Bravo

por Sergio Antonio Ulber em 24 de agosto de 2012

Manuel Álvarez Bravo (1902-2002) é considerado um dos maiores representantes da fotografia latino-americana do século XX, sua obra se estende desde o final da década de 20 ao início dos anos 90. Diego Rivera, que foi muito seu amigo, o considera uma pessoa hipersensível, de mentalidade incisiva e profunda, aberta a toda experiência e propícia a toda inquietude. Ainda citando a descrição de Rivera, a poesia discreta e profunda, a ironia desesperada e fina, emanam das fotografias de Manuel Álvarez Bravo como se estivessem suspensas no ar, como se tornassem visível um raio de luz que penetra em um quarto escuro.

Manuel Álvarez Bravo, Londres, 1980. Foto: Bill Jay.

O fotógrafo nasceu no centro da capital mexicana, Cidade do México, em 1902. Interrompeu os estudos aos 12 anos, quando seu pai faleceu, e passou a trabalhar em uma fábrica têxtil para ajudar sua família. Seu avô, pintor, e seu pai, maestro, eram aficionados por fotografia, influência que despertou em Manuel o interesse em estudá-la e praticá-la por conta própria. A descoberta sobre as possibilidades criadas por uma câmera o fez querer explorar todas as técnicas fotográficas possíveis, tanto nos processos de captura quanto de revelação. Curiosamente foi assim também que aprendeu a falar inglês, sem professores, pois era autodidata.

Suas primeiras fotografias eram bem Pictorialistas, estilo comum entre os fotógrafos da época. Com o surgimento do cubismo e as possibilidades de abstração, começou a explorar a estética moderna. O encontro com Edward Weston e Tina Modotti (abordados na matéria anterior), em 1923, foi crucial para seu desenvolvimento no campo fotográfico. Em 1925, se casou com a fotógrafa Lola Álvarez Bravo, que se tornou, além de esposa, sua assistente e aluna. Lola já foi apresentada nesta série, mas é importante ressaltar que o casal foi vital para a cultura mexicana e que eram amigos de muitos intelectuais e artistas da época, pessoas conhecidas como, por exemplo, Frida Kahlo, Rufino Tamayo, Maria Izquierdo, David Alfaro Siquerios e os já citados Diego Rivera, Edward Weston e Tina Modotti.

Manuel Ganhou seu primeiro prêmio como fotógrafo em 1931, sete anos após ter comprado sua primeira câmera, e decidiu se dedicar a fotografia por tempo integral, participando também de produções cinematográficas, atividade que largou em 1959, quando optou por trabalhar unicamente com fotografia estática. Após largar o cinema, Manuel produziu muitas fotografias para os livros produzidos pelo Fundo Editorial da Plástica Mexicana (Fondo Editorial de La Plastica Mexicana), do qual era um dos fundadores, e também trabalhou com projetos autorais. Em 1980, deixou de fazer parte do Fundo Editorial para trabalhar com a Televisa, império da mídia mexicana, onde sua coleção de fotografias foi exibida e publicada em um set de três volumes. Em 1996, suas fotografias passaram a fazer parte do recém criado Centro Fotográfico Álvarez Bravo, em Oaxaca, no México, cidade onde residiu durante anos com sua esposa, Lola.

Retrato de Frida Kahlo, 1930. Foto: Manuel Álvarez Bravo

No dia 19 de outubro de 2002, aos cem anos de idade, Manuel faleceu. Em vida, apresentou mais de 150 exposições individuais e participou de mais de 200 coletivas. Segundo muitos críticos, a obra deste poeta da lente expressa a essência do México, mas o aspecto humanista refletido nela, bem como as referências  estéticas, literárias e musicais que contém, o conferem uma dimensão universal.

Antes de terminar esta matéria, poderiam ainda ser mencionadas outras descrições feitas por importantes figuras do século passado sobre Manuel e sua obra, como a de Nissa Pereze, que o considera um dos gigantes da fotografia do século XX, afirmando que suas fotografias são inimitáveis, que cada imagem é como um mundo em si mesmo, governado por sua própria lógica, onde o incomum se torna ordinário. Ou então citar Xavier Villaurrutia, dizendo que, ao contrário dos pensadores que trabalham com as mãos no cérebro, Manuel trabalhava com o cérebro nas mãos. Mas, para uma melhor compreensão sobre a genialidade e a sensibilidade deste fotógrafo, é preciso e recomendado olhar com atenção o vasto e rico repertório deixado por ele, como mostram estas imagens que publicamos aqui, que representam uma parcela de tudo o que ele produziu.

www.manuelalvarezbravo.org

Retrato de Frida Kahlo, 1930. Foto: Manuel Álvarez Bravo. 

Frida Kahlo en la azotea con vestido secando, 1930. Foto: Manuel Álvarez Bravo. 

Niño orinando, 1927. Foto: Manuel Álvarez Bravo.

Los agachados, 1932-34. Foto: Manuel Álvarez Bravo. 

Obrero en huelga, asesinado, 1934. Foto: Manuel Álvarez Bravo. 

Retrato póstumo, 1934-39. Foto: Manuel Álvarez Bravo. 

El soñador, 1931. Foto: Manuel Álvarez Bravo.

La buena fama durmiendo, 1938. 

Y por las noches gemía, 1945. Foto: Manuel Álvarez Bravo. 

Can del mar, 1950. Foto: Manuel Álvarez Bravo. 

Panteón, visitación, 1964-65. Foto: Manuel Álvarez Bravo. 

Fruta prohibida, 1977. Foto: Manuel Álvarez Bravo.

Venus, 1979. Foto: Manuel Álvarez Bravo.

El acordeonista, anos 90. 

Tumba de Joseph Nicéphore Niepce, 1984. Foto: Manuel Álvarez Bravo. 

 

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MAIS: 

Apresentação da série

Fotógrafos de Frida Kahlo: Imogen Cunningham

Fotógrafos de Frida Kahlo: Bernard Silberstein

Fotógrafos de Frida Kahlo: Lucienne Bloch

Fotógrafos de Frida Kahlo: Lola Alvarez Bravo

Fotógrafos de Frida Kahlo: Gisèle Freund

Fotógrafos de Frida Kahlo: Nickolas Muray 

Fotógrafos de Frida Kahlo: Edward Weston

Fotógrafos de Frida Kahlo: Guillermo Kahlo

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O livro Frida Kahlo: Suas Fotos (Frida Kahlo: Sus Fotos), lançado em 2010, no Brasil, pela Cosac Naify, traz parte de um acervo inédito que mostra Frida quando menina, seu estúdio, uma série de autorretratos de seu pai, o encontro com Rivera, seu círculo cosmopolita de amigos e a intimidade com diversos personagens. Utilizando como base este livro, criamos a série “Fotógrafos de Frida Kahlo”.

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Sergio Antonio Ulber

Integra o conselho editorial da Foto Grafia, é responsável pelo blog e pela redação da revista e sócio da LAPIS Comunicação e Cultura. Formado em Design Gráfico pela Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI), atualmente é aluno do curso de Pós-Graduação em Fotografia na mesma instituição.

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