A chance dos três irmãos terem nascido albinos na mesma família era de uma em um milhão, mas aconteceu. Kauan, 5 anos, Ruth Caroline, 10, e Esthefany Caroline, 8, nasceram brancos em uma família de negros na cidade de Olinda, em Pernambuco. A mãe, Rosemere Fernandes de Andrade, 27, é negra, o pai é moreno. Pobres, eles moram em uma favela chamada V-9 e, sem recursos para comprar protetores solares especiais, vivem correndo para se esconder do sol. O jeito é brincar dentro de casa.

A dura rotina destas crianças foi registrada pelas lentes do fotojornalista pernambucano Alexandre Severo. O projeto, intitulado À Flor da Pele, nasceu de uma reportagem feita para o Jornal do Commercio, com texto do jornalista João Valadares. O trabalho, realizado em agosto de 2009, foi mundialmente reconhecido. A agência Reuters elegeu a foto “o gato” como uma das Imagens do Ano (Pictures of the Year). A foto mostra os irmãos albinos Esthefany e Kauan brincando com a prima negra Taina tendo o testemunho de um gato siamês. O projeto também foi selecionado para a mostra Descubrimientos do PhotoEspaña 2009/2010.

No trabalho, Alexandre busca registrar o difícil dia-a-dia das três crianças albinas e como elas convivem com o defeito genético que as deixou brancas. São imagens belas, doces, até ingênuas, mas ao mesmo tempo duras e contestadoras. A condição social desfavorável é o principal agravante da doença. Sem ter como se proteger do sol, as crianças ficam trancadas dentro de casa. Grudadas na televisão, em cima da cama com as janelas fechadas, sentadas diante do ventilador. “Os dedos cruzados são sempre para chover. É o convite para o banho de mar na Praia Del Chifre, em Olinda. Rezam para espantar o domingo de sol. Só assim, com o céu pintado de preto, são crianças”, relata João Valadares.

Às vezes, Kauan, o mais novo, desafia o maior inimigo. Fecha os olhos e corre no meio da rua gritando com o sol. Ele sorri e ouve os gritos da mãe para voltar logo para dentro de casa. Severo captura com maestria esse belo momento em que Kauan volta ser uma criança normal.

A ida para a escola, a 200m de casa, também vira um martírio. De bonés, camisetas de mangas longas, eles tentam se proteger da luz para evitar as noites diante do ventilador e as feridas pelo corpo. A doença também compromete a visão, os três óculos estão quebrados. As quedas são constantes, por isso seguem todos de mãos dadas.

Apesar de tantas dificuldades as três crianças sonham com o futuro: Ruth quer ser policial, Kauan, bombeiro ou dentista, e Esthefany, modelo. São os “anjinhos” da mamãe Rosemere que ganharam cores e vida nas fotografias de Severo. Como pontua o jornalista João Valadares, “esta é a história do contrário”.

Alexandre nasceu em 1978, em Recife, e começou a fotografar em 2002. Trabalhou nos principais jornais de Pernambuco, com destaque para o Jornal do Commercio, onde passou 7 anos. Hoje, mora em São Paulo e é fotógrafo independente. Publicou trabalhos na Revista Time, Revista S/N, Sueño de la Razón, Folha de São Paulo, no livro Melhor do Fotojornalismo 2010, dentre outros veículos nacionais e internacionais.

O fotógrafo ainda ganhou diversos prêmios de fotojornalismo e tem obras no Museu da Abolição – Centro de Referência da Cultura Afro-Brasileira, Recife e na Galeria Arte Plural (PE). Também teve trabalhos expostos no Kaunas Photo Festival (Lituânia), Paraty em Foco 2009, FestFotoPoA 2009, Tate Modern (Londres), Galeria Arte Plural (Recife) e no Museu do Homem do Nordeste (Recife).

 

  • http://www.revistafotografia.com.br/revista/foto-grafia-09/

    Cássio Vasconcellos realiza centenas de fotografias aéreas e une as imagens em uma só, criando cenas panorâmicas apresentadas em enormes e impressionantes painéis. Alexandre Severo registra o dia-a-dia de três crianças albinas, filhas de pais negros, que vivem na favela V-9, em Pernambuco, e tem fotografia selecionada pela agência Reuters como uma das Imagens do Ano (Pictures of the Year). A fotógrafa Anna Kahn consegue, com muita sensibilidade, fotografar o ausente, lançando um novo olhar a respeito das vítimas de bala perdida no Rio de Janeiro. Breno Rotatori presenteou sua avó com uma câmera analógica e registrou os atos fotográficos dela com sua câmera digital, criando dípticos que, além de transmitir uma sensação de tridimensionalidade, apresentam imagens que parecem estar em outro espaço-tempo. O foco seletivo de Claudio Edinger traz a Serra Catarinense em belas imagens que mostram os habitantes e as paisagens de uma região que, para o fotógrafo, parece ser de outro país. Pedro Motta fecha a edição com o projeto Reação Natural, revelando a sobrevida da natureza em meio ao caos urbanos, com imagens de plantas que se adaptam ao concreto e de construções que respeitam o espaço da natureza.

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  • http://www.revistafotografia.com.br/revista/foto-grafia-08/

    Rosely Nakagawa, curadora fotográfica atuante no mercado há mais de 30 anos, analisa o trabalho da fotógrafa Elisa Elsie na Leitura de Portfólio. Iatã Cannabrava, fotógrafo, curador e produtor cultural, vislumbra o futuro da produção cultural no Brasil e fala sobre o fazer coletivo, algo que vem se tornando cada vez mais comum. Na coluna Click Literário, de Marcelo Juchem, a discussão gira em torno do livro A Câmera Clara, de Roland Barthes. Em Luz para todos, reportagem da seção Universo Fotográfico, o assunto da vez é a fotografia humanitária, área em que profissionais engajados transformam seu trabalho em ferramentas de transformação social. Ensaios fotográficos, projeto de capa, artigos científicos e indicações na rede completam a edição, que está imperdível.

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  • http://www.revistafotografia.com.br/revista/foto-grafia-07/

    A revista destaca a participação de Luiz Garrido na Leitura de Portfólio, entrevista com Sergio Burgi, coordenador de fotografia do Instituto Moreira Salles, sobre a importância da preservação dos arquivos iconográficos e a matéria sobre Cinematografia com a colaboração de importantes nomes do cinema nacional. A edição conta também com Susan Sontag na coluna Click Literário, indicações na rede, ensaios fotográficos e artigos científicos elaborados por leitores da revista.

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  • http://www.revistafotografia.com.br/revista/foto-grafia-06/

    Opinião com Simonetta Persichetti, Leitura de Portfólio com Adriano Gambarini, Fotopintura Contemporânea, Evgen Bavcar na Coluna Click Literário, Ensaios Fotográficos, Artigos Científicos, Projeto de Capa e Indicações.

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  • http://www.revistafotografia.com.br/revista/foto-grafia-05/

    A revista destaca a participação de dois grandes nomes da fotografia brasileira: o Fotojornalista Evandro Teixeira, analisando o portfólio de uma jovem fotógrafa que atua neste ramo há apenas quatro anos e a Editora da antiga revista Iris Foto, Denise Camargo, opinando sobre a disponibilização gratuita de conteúdos fotográficos na internet. A jornalista Karina Pizzini fala sobre a edição de imagens, um mercado de trabalho amplo, mas carente de profissionais capacitados. A edição conta também com os ensaios fotográficos e artigos científicos elaborados por leitores da revista Foto Grafia.

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  • http://www.revistafotografia.com.br/revista/foto-grafia-04/

    Conheça a mostra, os artistas e as obras brasileiras que foram ao PIP 2010 (Pingyao International Photography Festival), um dos maiores festivais de fotografia do mundo, realizado na cidade de Pingyao, China. A matéria é de autoria de Ângela Magalhães e Nadja Peregrino, Curadoras da mostra “Um Certo Brasil”. Há mais de 30 anos atuando no mercado fotográfico, experiência profissional é o que não falta ao Kazuo Okubo, Fotógrafo que analisou o projeto “Como Você Se Vê?”, de Raphael Delesderrier, artista com 4 anos de carreira. O Professor Marcelo Juchem estréia sua Coluna sobre obras literárias fornecendo diversas dicas para auxiliar os Fotógrafos na hora de escolher o melhor livro para tirar da prateleira.

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  • http://www.revistafotografia.com.br/revista/foto-grafia-03/

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  • http://www.revistafotografia.com.br/revista/foto-grafia-02/

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  • http://www.revistafotografia.com.br/revista/foto-grafia-01/

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2 respostas para “A história do contrário”

  1. Vinícius Alves disse:

    Esta é a maior prova que todos viemos da mesma raça ( humana)

  2. Amós Souza disse:

    Bem a imagem mostra as crianças em cor e tonalidades diferentes devido a doença em contraste com a condição precária de subsistência humana, na qual os pais sofrem e ficam expostos e inclusive em função da fotorreportagem foi criado atitudes positivas em favor dos albinos já que os mesmos não possuem proteção da melanina e radiação ultravioleta pode causar doenças inclusive câncer de pele.

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