Fotografar o ausente, aquilo que não está mais aqui, o que foi tirado. O ensaio “Retratos da ausência”, da fotógrafa carioca Anna Kahn, lança um novo olhar a respeito das vítimas de balas perdidas no Rio de Janeiro. Ao contrário das imagens explícitas da violência das grandes metrópoles, que quase sempre mostram demais, os registros feitos por Anna causam inquietação e angústia por aquilo que não mostram.

Cátia, de 32 anos, dona de casa, não está mais lá. Restou apenas a Praia de Copacabana, onde ela estava com amigos e a filha de oito anos quando foi atingida por uma bala perdida. Alice, de 3 anos, também não está mais na Cidade de Deus. Ficou apenas a calçada pouco iluminada onde ela brincava quando a bala perdida a levou. E assim foi com Maria, 29 anos, empregada doméstica, com André, 23 anos, estudante, com Maria de Fátima, 64 anos, dona de casa e com outras milhares de pessoas vítimas de balas perdidas. Elas foram, ficaram apenas os lugares.

São esses locais vazios, esses espaços não mais ocupados, que aparecem no trabalho de Anna Kahn. As fotografias são noturnas, pouco iluminadas e misteriosas. As cenas desertas passam toda a solidão, o luto e a dor causados pela falta de quem ali estava e foi levado. A ausência e o silêncio nos conduzem a uma ampla reflexão sobre a violência e a vida.

O ensaio é um dos mais expressivos trabalhos da fotógrafa Anna Kahn. A exposição deste trabalho foi mostrada no Instituto Moreira Salles, de novembro de 2007 a fevereiro de 2008, e faz parte da coleção do Instituto. Foi também incluído na programação do PhotoIrelands Projections, em Dublin, em julho de 2010, e do fest Foto POA, em abril do mesmo ano. O ensaio ainda foi selecionado pelo Festival Paraty em Foco, em 2010, para ocupar a Galeria “O cubo”, transformado na instalação “Um minuto”. Recentemente, entre janeiro e fevereiro deste ano, o projeto foi exibido na galeria Andreas Murkudis, na Potsdamer Strasse, em Berlim, na Alemanha.

Anna Kahn nasceu no Rio de Janeiro em 1968, formou-se em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ), em 1992, e estudou fotografia na School of Visual Arts, em Nova York, em 1995. Viveu em Paris trabalhando para revistas e jornais brasileiros de 1999 a 2007. Hoje, é representada pela Galeria Tempo, em Copacabana.

Além do projeto Bala Perdida, Anna também realizou trabalhos importantes como o vídeo-instalação «Pourquoi faut-il toujours avoir un sens?», sobre a imobilidade, que foi exibido no Centro Cultural do Correios, no Fotorio 2011; o ensaio “Olho mágico – Uma visão dos interiores de Copacabana”, exposto no Centro Cultural da Justiça Federal, em 2009, e no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo, este ano; e ainda participou do projeto “Fryslan through foreign eyes”, na Holanda, onde um fotógrafo de cada continente teve de retratar a região norte do país chamada Fryslân, no Wadden Sea.

A respeito do projeto Bala Perdida, o escritor Zuenir Ventura apresenta assim as imagens da fotógrafa carioca: “O que mais impressiona na obra de Anna Kahn é que ela consegue fotografar justamente o que não pode ser fotografado: a ausência, o vazio, o silêncio que quase se ouve e se vê. A desolação. Não há lugar para nada, a não ser para a poesia _ uma triste poesia”.

 

  • http://www.revistafotografia.com.br/revista/foto-grafia-09/

    Cássio Vasconcellos realiza centenas de fotografias aéreas e une as imagens em uma só, criando cenas panorâmicas apresentadas em enormes e impressionantes painéis. Alexandre Severo registra o dia-a-dia de três crianças albinas, filhas de pais negros, que vivem na favela V-9, em Pernambuco, e tem fotografia selecionada pela agência Reuters como uma das Imagens do Ano (Pictures of the Year). A fotógrafa Anna Kahn consegue, com muita sensibilidade, fotografar o ausente, lançando um novo olhar a respeito das vítimas de bala perdida no Rio de Janeiro. Breno Rotatori presenteou sua avó com uma câmera analógica e registrou os atos fotográficos dela com sua câmera digital, criando dípticos que, além de transmitir uma sensação de tridimensionalidade, apresentam imagens que parecem estar em outro espaço-tempo. O foco seletivo de Claudio Edinger traz a Serra Catarinense em belas imagens que mostram os habitantes e as paisagens de uma região que, para o fotógrafo, parece ser de outro país. Pedro Motta fecha a edição com o projeto Reação Natural, revelando a sobrevida da natureza em meio ao caos urbanos, com imagens de plantas que se adaptam ao concreto e de construções que respeitam o espaço da natureza.

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  • http://www.revistafotografia.com.br/revista/foto-grafia-08/

    Rosely Nakagawa, curadora fotográfica atuante no mercado há mais de 30 anos, analisa o trabalho da fotógrafa Elisa Elsie na Leitura de Portfólio. Iatã Cannabrava, fotógrafo, curador e produtor cultural, vislumbra o futuro da produção cultural no Brasil e fala sobre o fazer coletivo, algo que vem se tornando cada vez mais comum. Na coluna Click Literário, de Marcelo Juchem, a discussão gira em torno do livro A Câmera Clara, de Roland Barthes. Em Luz para todos, reportagem da seção Universo Fotográfico, o assunto da vez é a fotografia humanitária, área em que profissionais engajados transformam seu trabalho em ferramentas de transformação social. Ensaios fotográficos, projeto de capa, artigos científicos e indicações na rede completam a edição, que está imperdível.

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  • http://www.revistafotografia.com.br/revista/foto-grafia-07/

    A revista destaca a participação de Luiz Garrido na Leitura de Portfólio, entrevista com Sergio Burgi, coordenador de fotografia do Instituto Moreira Salles, sobre a importância da preservação dos arquivos iconográficos e a matéria sobre Cinematografia com a colaboração de importantes nomes do cinema nacional. A edição conta também com Susan Sontag na coluna Click Literário, indicações na rede, ensaios fotográficos e artigos científicos elaborados por leitores da revista.

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  • http://www.revistafotografia.com.br/revista/foto-grafia-06/

    Opinião com Simonetta Persichetti, Leitura de Portfólio com Adriano Gambarini, Fotopintura Contemporânea, Evgen Bavcar na Coluna Click Literário, Ensaios Fotográficos, Artigos Científicos, Projeto de Capa e Indicações.

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  • http://www.revistafotografia.com.br/revista/foto-grafia-05/

    A revista destaca a participação de dois grandes nomes da fotografia brasileira: o Fotojornalista Evandro Teixeira, analisando o portfólio de uma jovem fotógrafa que atua neste ramo há apenas quatro anos e a Editora da antiga revista Iris Foto, Denise Camargo, opinando sobre a disponibilização gratuita de conteúdos fotográficos na internet. A jornalista Karina Pizzini fala sobre a edição de imagens, um mercado de trabalho amplo, mas carente de profissionais capacitados. A edição conta também com os ensaios fotográficos e artigos científicos elaborados por leitores da revista Foto Grafia.

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  • http://www.revistafotografia.com.br/revista/foto-grafia-04/

    Conheça a mostra, os artistas e as obras brasileiras que foram ao PIP 2010 (Pingyao International Photography Festival), um dos maiores festivais de fotografia do mundo, realizado na cidade de Pingyao, China. A matéria é de autoria de Ângela Magalhães e Nadja Peregrino, Curadoras da mostra “Um Certo Brasil”. Há mais de 30 anos atuando no mercado fotográfico, experiência profissional é o que não falta ao Kazuo Okubo, Fotógrafo que analisou o projeto “Como Você Se Vê?”, de Raphael Delesderrier, artista com 4 anos de carreira. O Professor Marcelo Juchem estréia sua Coluna sobre obras literárias fornecendo diversas dicas para auxiliar os Fotógrafos na hora de escolher o melhor livro para tirar da prateleira.

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  • http://www.revistafotografia.com.br/revista/foto-grafia-03/

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  • http://www.revistafotografia.com.br/revista/foto-grafia-02/

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  • http://www.revistafotografia.com.br/revista/foto-grafia-01/

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